O Segredo do Rio



Era uma vez um rapaz que morava numa casa de campo. Era uma casa pequena e branca, com uma chaminé muito alta por onde saía o fumo da lareira, que no inverno estava sempre acesa e que servia para cozinhar e para aquecer a casa.
À roda da casa havia um pomar com árvores de fruto...

«Este rio tem um segredo
e esse segredo é só meu.

Miguel Sousa Tavares

Escreve esta história lindíssima.
Sobre a amizade de um menino com um peixe. As ilustrações dão imagem à pureza desta bela história.

Que o hábito não se perca, da história lida pela voz do pai ou da mãe, na hora do aconchego... do beijo. Boa noite... Dorme bem.


Betty Branco Martins
28-Fevereiro-2005

LEIF ENGER



Cresceu em Osakis, Estados Unidos e trabalhou como jornalista e
produtor para a Minnesota Public Radio durante vinte anos.

Paz como um Rio é a sua primeira obra e com ela obteve em 2002, o
Book Sens Book of the Year Award na categoria de ficção.

PAZ COMO UM RIO

Desde a primeira vez que eu respirei neste
mundo, tudo o que eu quis foi um bom par de pulmões e ar para os encher, circunstâncias normais, poderão pensar, para um bebé americano do século xx.
Pensem na primeira vez que inspiraram: um vento surpreendente a descer pele traqueia e a espicaçá-la sem esforço e vocês ainda escorregadios nas mãos do médico. Como uivaram, vocês! Não pensavam senão no pequeno almoço e isso vinha já a caminho.

(Leif Enger)

Betty Branco Martins
26-Fevereiro-2005

Miguel Sousa Tavares



SUL
Viagens

A casa Grande tem um imenso terreiro plano sobre as rochas e o mar. E fica numa ponta da ilha e há trinta anos atrás era a sede e a habitação do administrador da roça. Chegava-se lá através de uma interminável recta em terra batida, que as árvores ameaçam engolir sem aviso prévio e depois uma alameda de palmeiras onde as crianças saltam ao caminho e como em todos os lugares pobres de África, nos repetem no mais insistente e o mais comovente dos pedidos: uma esferográfica.

Miguel Sousa Tavares
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Deriva

Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Betty Branco Martins
26-Fevereiro-2005

Ernest Hemingway



Um livro de Ernest Hemingway
É sempre um acontecimento literário. E uma novela inédita, no centenário do seu nascimento, um presente inesperado para os leitores. Ainda que o autor, estrela da chamada geração perdida, tenha escrito VERDADE AO AMANHECER na mesma altura em que ocorriam as aventuras que nos conta, o manuscrito perdeu-se entre os seus papéis até que, quase por casualidade, apareceu muitos anos depois da sua trágica e inesperada morte. Verdade ao Amanhecer, romance póstumo resgatado pelo seu filho Patrick, foi publicado em todo o mundo no centenário do autor.


«Em África uma coisa é verdade ao amanhecer e mentira pelo meio-dia e não devemos respeitá-la mais do que ao maravilhoso e perfeito lago bordejado de ervas que se vê além da planície salgada crestada pelo sol. Atravessámos essa planície pela manhã e sabemos que tal lago não existe. Mas agora está lá e é absolutamente verdadeiro, belo e verosímil.»

ERNEST HEMINGWAY

É minha, que me veio da minha mãe Sycorax. Esta ilha que me roubaste! Quando aqui chegaste.
A princípio eram só afagos, tudo atenções e davas-me.
Água com bagas dentro; ensinavas-me
O nome da grande luminária e o da mais pequena
Que dia e noite brilham; e ganhei-te assim afeição
E mostrei-te então todas as qualidades da ilha:
Frescas torrentes. Poços salobros, os sítios áridos e os férteis.


Betty Branco Martins
26-Fevereiro-2005

Luis Sepúlveda



Obras:

As Rosas de Atacama
Contos ApátridasContos Apátridas
Diário de um Killer Sentimental
Encontro de Amor num País em Guerra
Encontro de Amor num País em Guerra
O General e o Juiz
História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar
Histórias do Mar
Mundo do Fim do Mundo
Nome de Toureiro
Nome de Toureiro
O Velho que Lia Romances de Amor
Patagónia Express
Uma História Suja

(Edições ASA)


Uma História Suja

Nas páginas de um caderno de capa negra que sempre me acompanha (na realidade, uma Moleskine), anoto as minhas dúvidas os meus assombros, os acasos de cada dia. E também pequenos artigos, capítulos de romance, contos, receitas de cozinha, declarações de intenção e compromissos de que geralmente me esqueço. Ao folheá-las durante a breve cerimónia de adeus que antecede a inauguração de um novo caderno, leio o que está escrito e costumo descobrir que não perdi a capacidade de assombro. Folheá-las é rebobinar a vida e vê-la fugazmente, fotograma a fotograma.

Um livro que rodeia cenas políticas no plano internacional. De alguém que inventa um mundo mais “limpo” mesmo quando fala da sujidade do mundo que temos.


Betty Branco Martins
25-Fevereiro-2005

Mia Couto



Nascido na Beira (Moçambique), em 1955, Mia Couto é considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de escritores africanos que escrevem em português. Este estatuto incontestado deve-se não só à forma como descreve e trata os problemas e a vida quotidiana do Moçambique contemporâneo, mas principalmente à inventiva poética da sua escrita, numa permanente descoberta de novas palavras através de um processo de mestiçagem entre o português «culto» e as várias formas e variantes dialectais introduzidas pelas populações moçambicanas.
Um dos últimos livros “A CHUVA PASMADA” é de uma riqueza de expressão notável, em que as ilustrações o completam harmoniosamente:

Como ele sempre dissera:
o rio e o coração, o que nos une?
O rio nunca está feito, como não
está o coração. Ambos são sempre
nascentes, sempre nascendo.
Ou como eu hoje escrevo:
milagre é o rio não findar mais.
Milagre é o coração começar sempre
no peito de outra vida.

Mia Couto

Betty Branco Martins
25-Fevereiro-2005